Calculadora de osmolaridade sérica e urinária

As duas contas na mesma página, cada uma com a fórmula que é dela. No soro é 2 x sódio mais glicose sobre 18 mais ureia sobre 6, na unidade que o laudo brasileiro traz. Na urina é sódio mais potássio, vezes dois, mais ureia, em mmol/L. As parcelas ficam separadas para você conferir de onde saiu cada pedaço do número.

290.0 mOsm/L

2 x 140 + 90/18 + 30/6 = 280.0 + 5.0 + 5.0

540 mOsm/L estimados

(80 + 40) x 2 + 300 = 540

Seu laudo traz a ureia urinária em mg/dL?

1800 / 6 = 300.0 mmol/L

Tela da Vitra com as sessões da pessoa atendida contadas por tipo e o histórico de sessões com data

O resultado urinário, na série da pessoa

Uma osmolaridade urinária isolada diz pouco; o que informa é a série ao longo do acompanhamento. A Vitra guarda cada resultado na linha do tempo da pessoa atendida.

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A fórmula do soro não serve para a urina

Uma carta publicada em 2025 no Indian Journal of Endocrinology and Metabolism pesquisou profissionais e mediu que 66,67% aplicavam a fórmula da osmolaridade sérica para calcular a urinária. A composição bioquímica das duas é diferente: na urina, ureia, sódio e potássio somam mais de 90% dos osmoles, e o que acompanha os cátions é contabilizado multiplicando por dois.

A mesma carta registra que não existe fórmula urinária de consenso. A que esta página usa foi validada em coortes populacionais e de doença renal crônica, e ficou dentro de 5% da osmolalidade medida.

A fórmula, aberta

Osmolaridade calculada = 2 x sódio (mEq/L) + glicose (mg/dL) dividida por 18 + ureia (mg/dL) dividida por 6. Os divisores não são convenção: cada um converte dL para L (multiplicando por 10) e massa para mols (dividindo pelo peso molecular). A glicose pesa 180,16 g/mol, então 180,16 dividido por 10 dá 18. A ureia pesa 60,056 g/mol, então o divisor dela é 6.

O fator 2 no sódio, no lugar de 1,86, é a forma de Smithline e Gardner. Ela dispensa o coeficiente osmótico do cloreto de sódio porque também deixa de fora potássio, cálcio e magnésio, e as duas simplificações se compensam. Existem pelo menos 65 fórmulas catalogadas na literatura, e a escolha entre elas muda o resultado.

A pegadinha que derruba a conta no Brasil

No Brasil se dosa ureia. Nos Estados Unidos se dosa nitrogênio ureico (BUN). As duas saem em mg/dL no laudo e têm divisores diferentes: 6 para a ureia, 2,8 para o BUN. A razão é o peso molecular, não convenção: a ureia pesa 60,056 g/mol e os dois nitrogênios dela pesam 28,0 g/mol.

Duas referências muito consultadas publicam isso de um jeito que erra para quem lê laudo brasileiro. O MSD Manuals em português traduziu "blood urea nitrogen (BUN)" como "ureia", enquanto a versão em inglês da mesma página diz BUN. E o StatPearls escreve "urea (mg/dL)/2.8", que é o divisor do nitrogênio ureico.

Com ureia de 40 mg/dL, trocar o divisor 6 pelo 2,8 aumenta o resultado em cerca de 7,6 mOsm. Sozinho, isso fabrica um gap osmolar que não existe.

A unidade que o laudo brasileiro traz

A fórmula pede mmol/L. O laudo brasileiro costuma trazer a ureia urinária em mg/dL, e digitar mg/dL no campo de mmol/L devolve um número seis vezes maior sem nenhum aviso. O conversor acima resolve isso: ureia em mg/dL dividida por 6 dá mmol/L, pelo mesmo peso molecular de 60,056 g/mol que dá o divisor da fórmula sérica.

Amostra isolada, primeira da manhã ou de 24 horas

A osmolalidade urinária é dosada em três formas de amostra, e elas não respondem à mesma pergunta. A amostra isolada, colhida a qualquer hora, fotografa o rim naquele instante. A primeira urina da manhã chega depois de horas sem ingestão de líquido, então tende a ser a mais concentrada do dia. A coleta de 24 horas dilui as variações de um dia inteiro num número só, e por isso perde o pico e o vale.

Qual delas o laudo traz muda a leitura do valor, e o pedido do exame costuma trazer essa informação. Vale conferir antes de comparar dois resultados entre si: número de amostra isolada e número de 24 horas não são grandezas comparáveis.

Osmolalidade e densidade urinária não medem a mesma coisa

As duas aparecem juntas no laudo e costumam ser lidas como sinônimo. Osmolalidade conta partículas: cada osmol pesa o mesmo na conta, seja ele sódio ou ureia. Densidade mede massa por volume, então uma molécula grande desloca o resultado muito mais do que uma pequena.

A consequência prática é que glicose, proteína e contraste iodado na urina elevam a densidade de forma desproporcional à osmolalidade. Quando as duas discordam, é essa diferença de método que costuma estar por trás, e não erro de dosagem.

Osmolaridade plasmática, sérica e sanguínea: a mesma conta

Os três nomes aparecem em laudo, em prova e em artigo, e descrevem o mesmo cálculo. Plasma e soro diferem no fibrinogênio e nos demais fatores de coagulação, que são proteínas de peso molecular alto e contribuição osmótica pequena: a diferença entre um e outro cabe na casa decimal que a fórmula já despreza. "Osmolaridade do sangue" é o mesmo número dito em linguagem corrente.

Osmolaridade plasmática e osmolaridade sérica, portanto, se calculam com a mesma fórmula desta página. O que muda de verdade é medir em vez de calcular, e aí o nome correto passa a ser osmolalidade.

Osmolaridade efetiva, ou tonicidade

A osmolaridade efetiva conta apenas os solutos que não atravessam a membrana celular com liberdade, porque só eles movem água entre o intra e o extracelular. Na prática isso significa tirar a ureia da conta: ela cruza a membrana e se equilibra dos dois lados, de modo que soma no total e não puxa água.

A forma usual é 2 x sódio (mEq/L) + glicose (mg/dL) dividida por 18, com os mesmos divisores explicados acima. É por isso que uremia eleva a osmolaridade calculada sem alterar a tonicidade, enquanto hiperglicemia altera as duas.

Para que serve o número

A osmolaridade calculada existe para ser comparada. Sozinha ela é uma soma de três exames que já estavam no laudo, e não acrescenta informação nova. O que ela permite é confrontar o valor esperado pela composição conhecida do plasma com a osmolalidade que o laboratório mediu, e a diferença entre os dois é o gap osmolar.

Em soluções, o mesmo número descreve a carga osmótica do que está na bolsa, que é propriedade físico-química da mistura e não do paciente.

O que um valor alto ou baixo reflete no soro

Como a fórmula é uma soma, o valor calculado sobe quando sobe qualquer uma das três parcelas: sódio, glicose ou ureia. Um valor acima da faixa de referência diz que pelo menos uma delas está elevada, e a própria conta aberta desta página mostra qual, porque ela separa as parcelas. Um valor abaixo aponta no sentido inverso, e na prática costuma ser conduzido pelo sódio, que responde pela maior parte do total.

Vale reparar no que o número não diz: ele não distingue causa, não separa o que é tonicidade do que é apenas soluto permeável, e não substitui a osmolalidade medida. Quem interpreta é o profissional que acompanha o caso, com o quadro inteiro na frente.

Osmolaridade ou osmolalidade

Osmolaridade é por litro de solução (mOsm/L) e osmolalidade é por quilo de solvente (mOsm/kg). O laboratório mede osmolalidade, porque peso independe de temperatura e volume não. Em líquido corporal as duas quase coincidem, já que um litro de água pesa um quilo. Esta página calcula, então ela devolve osmolaridade.

Comparar com a osmolalidade medida: calcular o gap osmolar

A faixa de referência do soro, e onde as fontes discordam

O que a fonte dizValorFonte
Faixa de referência275 a 295 mOsm/kgNajem O et al. Serum Osmolality. StatPearls, 2024
Faixa de referência275 a 290 mOsm/kgMSD Manuals Professional, Water and Sodium Balance

A faixa da urina, e a ressalva que vem junto dela

O que a fonte dizValorFonte
Faixa citada como usual300 a 750 mOsm/kgLarkins MC et al. Osmometer. StatPearls, 2024
Amplitude fisiológica conforme hidratação50 a 1200 mOsm/kgGloucestershire Hospitals NHS Foundation Trust, Pathology: Osmolality

O que um valor alto ou baixo reflete na urina

A osmolalidade urinária descreve o quanto o rim concentrou a urina naquele momento. Valor alto significa urina concentrada, com muito soluto em pouca água. Valor baixo significa o contrário, urina diluída.

O número sozinho não separa causa de efeito, e é por isso que a ressalva acima existe: o mesmo valor pode ser adequado ou inadequado dependendo do estado da pessoa naquele momento, e essa leitura é de quem acompanha o caso, com o quadro inteiro na frente. O que esta página entrega é a conta, com as parcelas abertas e a unidade conferida.

Vale registrar o que uma das fontes acima diz sobre a própria faixa: não existe faixa de referência real para osmolalidade urinária, porque a leitura depende de a urina estar concentrada ou diluída de forma condizente com o estado da pessoa naquele momento. Uma faixa estreita apresentada sozinha engana.

Comparar com a osmolalidade medida: calcular o gap osmolar

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As fontes, e qual campo cada uma comprova

Ferramenta de cálculo para profissionais de saúde. Esta página publica a fórmula, o divisor e a faixa de cada fonte, e não interpreta resultado: a leitura do número é de quem acompanha a pessoa.

Escrito e revisado por Equipe VitraClínica